Após mais de 200 anos da revolução francesa e das suas consequências diretas no pensamento ocidental, se faz necessário uma revisão sobre seu impacto ideológico e cultural nos dias atuais, a revolução francesa preconizou uma série de ideologias, lemas, filosofias e religiões novas que nasceram pautados na ideia do igualitarismo, encontrando seu eco final na ideologia socialista que pregava a igualdade suprema entre os seres humanos, diversos teóricos, filósofos, cientistas, políticos e figuras influentes tentaram através de fartos materiais chegar a uma síntese desse pensamento hegemônico.
A ideia de igualdade no entanto com o passar dos anos se fragmentou em diversas alas ideológicas e filosóficas distintas, cada grupo desenvolveu sua própria teoria sobre a igualdade esbarrando naturalmente nas barreiras físicas e humanas, ao perceberem que seria impossível alcançar um estado geral de igualdade na humanidade os críticos e teóricos partiram para um conceito mais prático e menos abrangente, a equidade.
A equidade é uma tentativa de reduzir desigualdades ajustando pontos de forma artificial por meio de leis, regras ou mesmo de organização social, um exemplo é quando uma empresa oferece horários flexíveis para mães solteiras junto de auxílio creche.
O estado através da coerção e do monopólio da violência estabeleceu diversas leis e regras sobre igualdade e equidade, afim de combater desigualdades, falhando em muitos casos e acertando em outros, reduzindo de forma progressiva alguns problemas e provocando outros, um exemplo é o sistema previdenciário que acabou se revelando um sistema de pirâmide dependente de boom populacional, o que vai gerar uma crise fiscal e forçar os estados a realizar reformas e reajustes.
A ideia de igualdade se tornou um mantra e uma verdadeira religião no ocidente moderno, onde tudo é pensado apenas nos conceitos de igualdade, redistribuição de renda e outros mecanismos, de modo que questionar seu status como valor universal e absoluto é considerado por muitos como um crime contra a humanidade, tal como era considerado no passado um crime blasfemar contra Deus ou em experiências recentes, um crime blasfemar contra o partido.
Os críticos e sociólogos muitas vezes condenam a globalização por esta ter se instalado sob uma ótica mercadológica dentro do capitalismo, ignorando ou aceitando com um gosto amargo na boca que essa mesma globalização permitiu e tornou acessível vários recursos antes restritos a elite econômica.
Os cálculos econômicos de Marx falharam quando previram um colapso dos sistemas capitalistas, o capitalismo e o liberalismo se demonstraram mais resilientes do que se imaginava, capazes de se autorregular e de sobreviver em contextos hostis, resistiu ao bolchevismo e a duas guerras mundiais se consolidando na segunda metade do século 20 através do poderio militar e financeiro dos americanos. A classe proletária não se rebelou contra a burguesia como se imaginava pois a qualidade de vida e os avanços tecnológicos superaram as dificuldades enfrentadas anteriormente na primeira revolução industrial, leis contra o trabalho infantil foram criadas, sindicatos, legislação trabalhista e reformas gerais administrativas minaram quase que por completo qualquer chance de revolução por meio do proletariado.
O colapso dos regimes socialistas também foi um presságio de que tal utopia não poderia se concretizar por meio da força e os regimes que resistiram a queda se renderam parcialmente ao processo de integração econômica mundial, como a China que se intitula como comunista, governada por um regime de partido único ao mesmo tempo que permite a iniciativa privada, possui burgueses, bilionários e abandonou parcialmente a ideia de uma economia planificada como costumava ser na socialista União Soviética.
A China também rejeitou as ideias maoístas de revolução cultural, a destruição de seu passado colonial, imperialista e reacionário por um mundo renovado, comunista e igualitário, tudo isso foi formalmente descartado pelo partido comunista que adotou uma postura nacionalista de exaltação ao passado, de obediência ao Estado, da valorização da identidade nacional chinesa e respeito a cultura e tradição. A China portanto é um exemplo de revolução comunista que fracassou, não porque falhou economicamente ou porque colapsou, mas sim porque renegou a maioria dos valores que tornavam ela um modelo e exemplo de experiência socialista, revelou-se que só é conveniente ser revolucionário quando não se está no poder.
No ocidente a ideia de atingir a igualdade se deu em outros termos, em termos que vão desde o abstrato como transexualidade e os inúmeros gêneros novos criados sem base científica ou sociológica clara até coisas como racismo climático.
A financeirização da economia elevou a qualidade de vida nos países do primeiro mundo, mas trouxeram consigo uma série de problemas de naturezas tão variadas que seria necessário um livro inteiro de 5 volumes apenas para descrever o diagnóstico.
Como a igualdade se tornou uma religião desde a queda da bastilha, dessa religião surgiram seus adeptos e clérigos e dos adeptos surgiu um verdadeiro ecossistema burocrático que busca a substituição dos valores antigos pela hegemonia cultural do sócio-construtivismo, esse ecossistema é definido pelo filósofo americano Curtis Yarvin como "A Catedral".
A Catedral é uma rede informal de universidades, jornalistas e da burocracia que molda os valores morais e políticos nas democracias ocidentais. A Catedral é um sistema que impulsionou os valores liberais e progressistas, os antigos valores como força, soberania, potência individual e disciplina foram substituídos por ideais de igualdade, identitarismo e progressismo radical, representado por um desprezo e demonização dos fundamentos e pilares da civilização ocidental como o cristianismo, a colonização, a arte clássica, o capitalismo e etc que se tornaram matéria de crítica pelas figuras do socio construtivismo.
Essa forma de pensamento ideológico aproximou diversos grupos disfuncionais da sociedade, especialmente indivíduos que possuem desvantagens biológicas, sociais e estéticas. A catedral opera na lógica da lealdade, parafraseando Mao Tse Tung "não esqueçam que eu os libertei dos seus senhores" aglutinando e recrutando figuras que outrora estavam à margem da sociedade elevando seu status e os tornando quase como celebridades sem muitas vezes remover as desigualdades e problemáticas que as jogaram na margem em primeiro lugar, essas figuras serão leais a Catedral incendiando esse apoio com uma guerra de classes que desencadeou um eterno estado de mau estar social, vários grupos começaram a se odiar e a se desprezar mutualmente baseado em aspectos identitários como cor, raça, gênero, idioma, religião e etc.
Essa animosidade serviu para consolidar o poder político de alguns movimentos dentro da esquerda radical, sua identidade de gênero, cor, raça ou classe social se tornaram uma forma de monopólio político de alguns grupos.
Para que essas táticas divisivas sejam mais eficazes os membros da catedral e da burocracia utilizaram de generalizações para homogeneizar os grupos a fim de dissolver o caráter individual de cada um, você deixa de ser uma pessoa com sonhos, opiniões, ideias e pensamentos próprios e passa a ser apenas parte de um coletivo maior e unificado sob um ideal que apela muito mais a emoção do que a lógica, caindo na tese do amigo inimigo de Carl Schmitt. "o homem branco é mal pois nos segregou e nos colonizou" "qual homem branco? O de séculos atrás?" "dívida histórica, o todo branco é um racista em potencial", "todo homem é um estuprador em potencial" "mas e todos os outros que não são?" "são parte do problema, perpetuam o machismo estrutural e possuem culpa de algum jeito".
A democracia e o sufrágio universal degradaram a sociedade, o populismo e a elevação das classes marginais ao status de classe detentora de direitos políticos abriu brechas para uma série de injustiças e deformidades administrativas, antes a política se fazia baseado em quem era produtivo e funcional para a sociedade, os alfabetizados, acadêmicos e empresários, agora ela é feita quase que exclusivamente para os improdutivos, um exemplo é nos países de terceiro mundo como o Brasil onde nos debates políticos se fala mais em bolsa família e auxílios massivos do que na criação de uma infraestrutura econômica decente para que o proletário e o lumpemproletariado possa ascender economicamente.
"na democracia os educados e os não educados detém o mesmo poder de voto, quando o conhecimento e a ignorância têm o mesmo peso, o espetáculo derrota a razão"
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until the 21st of Sept but I haven't even started the Brother's Karamazov yet... I have some time off tomorrow and I think I will try to start reading it. This summer was supposed to be my free time but I got a new job and now it's even more running up and down for me than ever before. Unrelated, would you mind making a list of books you've read this year so I can add it to my Humans still read list, it's cool if you don't want to also.
I was afraid It will end in disgrace. Hopefully didn´t happen.
So much things to think about. It´s long, deeply psicological and philosophic. In a few words, I was impressed with Notes From The Undeground and this one expands the plot of digging in the mind of morally grey characters absorbed by poornes, suffering and other characters that are just pieces of shit. A truly great piece of fiction and one of the finest novellas I´ve read. Looking for reading The Idiot and Brothers Kamarazov.
Literalmente a segunda maior carga tributária do mundo.
Alguns até que são bons